About Me
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"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
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Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! Génio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu , E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. Não, não creio em mim."
(...)
O mundo é para quem nasce para o conquistar E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu."
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Interests
Eu . Tu . Eles e Elas . Nós .
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Favorite Quote
"Estamos lixados com as mulheres do Norte !" "Não soubeste desta ?!" "I don't like to have boyfriends , I like to have ... lovers !" "- Não ouviste ? - Não . - Pois , tu sempre foste um bocado cega !" "Tou com a cara cheia de baba de Gonçalo ." "- Estás em contacto com Jah ?! - Já não , daqui a cinco minutos ." "Isto é inadmissivel ! A praia está cheia de conchas !" "Phonecall !" "Deixa lá , fica para a próxima !" "Não vacile , o caminho é JESUS ." "Manta Bicha" "Caía de costas !" "- Vamos brindar ! - A quê ? - Aos Brunos , que são todos uns cabrões !" "- Quando eu era pequenina brincava com ele aos namorados .. Eu fazia sempre de Paula Neves . - E ele fazia de José Carlos Pereira ? - Acho que sim .. - Aii se ele fosse o José Carlos Pereira bem que não me tinha ficado pelos beijinhos , dava-lhe a real f*da !" "A - Eu durante a noite ouvi uns barulhos duvidosos daquele lado da rulote ! B - A sério ? Com quem é que estavas ? C - ... B - Ok , eaquece lá isso !" "- Oh Dinis , tu não te tocas ?! - Toco toco , mas não vamos falar disso agora !"
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Journal
"Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se quando, abrindo a janela para dentro de mim, pude esquecer-me da visão do seu movimento. Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumam - quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de um sonho em relação às outras partes da paisagem - uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar. A minha mania de criar um mundo falso acompanha-me ainda, e só na minha morte me abandonará. Em mim, o que há de primordial é o hábito e o jeito de sonhar. As circunstâncias da minha vida, desde criança sozinho e calmo, outras forças talvez, amoldando-me de longe, por hereditariedades obscuras a seu sinistro corte, fizeram do meu espírito uma constante corrente de devaneios. Tudo o que sou está nisto, e mesmo aquilo que em mim mais parece estar longe de destacar o sonhador, pertence sem escrúpulo à alma de quem só sonha, elevada ela ao seu maior grau. Quero, para meu próprio gosto de analisar-me, ir, à medida que a isso me ajeite, ir pondo em palavras os processos mentais que em mim são um só, esse, o de uma vida devotada ao sonho, de uma alma educada só em sonhar. Porque eu não só sou um sonhador, mas sou um sonhador exclusivamente. O hábito único de sonhar deu-me uma extraordinária nitidez de visão interior. Não só vejo com espantoso e às vezes perturbante relevo as figuras e os décors dos meus sonhos, mas com igual relevo vejo as minhas ideias abstractas, os meus sentimentos humanos - o que deles me resta -, os meus secretos impulsos, as minhas atitudes psíquicas diante de mim próprio. Afirmo que as minhas próprias ideias abstractas, eu as vejo em mim, eu com uma interior visão do real as vejo num espaço interno. E assim os seus meandros são-me visíveis nos seus mínimos. Por isso, conheço-me inteiramente, e, através de conhecer-me inteiramente, conheço inteiramente a humanidade toda."
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
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