Ler, escrever, passear, conversar, praia todo o ano, mas também simplesmente não fazer nada e ouvir o silêncio
Favorite Movies
Clube dos Poetas Mortos O Último dos Moicanos ..
Favorite TV Shows
Anatomia de Grey, House, CSI, O Amor no Alaska, Nip Tuck Não preferidos mas "obrigada" a ver: A Familia Thornberry, Jimmy Neutron ou o que estiver a passar no Nickelodeon
Favorite Books
Quando Nietzsche Chorou e A Cura de Schopenhauer, de Irvin Yalom; Papillon, de Henri Charrière ...
"É preciso tão pouco para fazer as pessoas felizes. Apenas um toque, se soubermos dá-lo, apenas uma palavra dita adequadamente... um leve reajustamento numa cavilha, numa chumaceira ou num gancho da delicada maquinaria da alma."
Um minuto das nossas vidas é o suficiente para relembrar o aniversário do deus das palavras que partiu... (penso que ele gostaria) Ele dizia sempre: "Where have they been?" Nós estamos aqui, não estamos?
"A montanha russa é a minha vida, a vida é um jogo forte e alucinante, a vida é lançar-se de pára-quedas, é arriscar, cair e voltar a levantar-se, é alpinismo, é querer subir ao topo de si mesmo, é ficar insatisfeito e angustiado quando não se consegue". Bom fim de semana ;-))
Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.
Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?• Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:• - Senhor, não tem umas moedinhas?• - Não tenho, menino. - Só uma moedinha para comprar um pão.• - Está bem, eu compro um.
Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail.•Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas.• Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.•
- Senhor, peça para colocar margarina e queijo.• Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali. - Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem?•
Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora.• O peso na consciência, impedem-me de o dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.
Então sentou-se à minha frente e perguntou: - Senhor o que está fazer? - Estou a ler uns e-mail. - O que são e-mail? - São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses):
- É como se fosse uma carta, só que via Internet. - Senhor você tem Internet? - Tenho sim, essencial no mundo de hoje. - O que é Internet ? - É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual. - E o que é virtual? Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar, pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei! - Menino, entendeste o significado da palavra virtual? - Sim, também vivo neste mundo virtual. - Tens computador?! - Exclamo eu!!! - Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual.
A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia.
Isto é virtual não é senhor??? Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino acabasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um 'Brigado senhor, você é muito simpático!'. Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!