...E por entre toda a agitação, vive-se serenamente. Há uma crença indubitável de que existe gente perpétua. E parece haver tempo para tudo. Não há ansiedade por tornar tudo agora, porque mais tarde também lá estamos.
E cria-se uma linguagem própria, quase como que um dialecto nativo dos titulares de uma cumplicidade que me parece de origem transcendente.
Não creio que possamos nomear cúmplices. Talvez sejamos nomeados aos pares por outro alguém. Não sei.
Sei que o instante presente é reflexo daquele de outrora. E o tempo constroi-se e passa por nós, e nós por ele.
E, então, há um tempo de impulsão e um tempo de inércia. Um tempo para produzir e provocar as coisas acontecer e um tempo de concordância e aceitar o que nos acontece. Um tempo em que tudo entendemos e um tempo em que não é possível compreender o que seja...
Não obstante, o tempo sempre marca o ritmo num compasso perfeito. Silêncio também é música. Mas a acção sempre se desenvolve, nunca pára. Não existem intervalos nem cortes nesta película.
E hoje é dia! E nele, como que num ápice diáfano, determina-te numa obsessão compulsiva a voar. E então voa.
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