|
Sei que um dia nada disto vai interessar. O meu nome vai ser esquecido como poeira, estas frases vão ser apagadas pelo tempo. Sei que um dia vou perder esta juventude, e sei que nunca serei mais bonita do que o que sou neste momento. Um dia vou mudar de pensamento, vou crescer, vou ter uma família só minha, vou ganhar responsabilidades. E depois virá o tédio, infinito e alongando-se até ao fim da minha vida, demorando os dias. Vou ter apenas as recordações para me manter viva. O que o futuro me traz eu não sei, ninguém sabe. Apenas me posso limitar a imaginar as suas linhas, como um autor que espera o fluir da poesia. Espero que o tempo não me tire os amigos, que não me leve a alma, que não me torne igual as outras. Eu quero ter em mim a eterna criança, quero sempre a felicidade cor-de-rosa da infância bem presente. Quero sempre o brilho no olhar. Não vou perder a esperança na imortalidade, mas agora sei que só a memoria que deixar nos outros vai durar para sempre. E eu sei, que quando tudo o resto perder o brilho e a cor, eu vou ser sempre jovem nas minhas fotografias, descansando eternamente nos vinte e três anos. Elas vão ser recordadas, elas são imortais. A minha alma reside nas minhas imagens, porque as palavras leva-as o vento.
Quero um fragmento no tempo, quero um instante só meu, quero uma escada dourada para o longínquo espaço. Quero viver para sempre.
|