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E um ano se passou…custa a crer que tenha sido há tanto tempo! Não por sentir que mal vos conheço mas porque o que é bom passa depressa e talvez porque não estou preparada para vos deixar já.
Cada qual me marcou à sua maneira, com os seus defeitos e feitio, bem diferentes de mim… - gosto de vocês assim.
A distância é, sem dúvida, um teste à amizade e não sei o que esperar de vocês e de mim. Tal como no ano passado, o que mais me custa não é deixar os amigos (pois amigos, na verdadeira acepção da palavra, ficam para sempre) mas sim todos os outros que me dão os bons-dias e que me fazem sorrir em conversas triviais sem, contudo, saberem muito de mim. Pessoas que já fazem parte do meu dia-a-dia, portanto!
(…)
Como uma determinada pessoa me disse, eu tenho muitos sonhos, idealizo uma vida que talvez seja boa demais. Talvez! Mas não posso desistir dum sonho só porque sim. Tenho capacidades e a oportunidade de refazer os exames que me abrirão portas para o curso que melhor satisfaz os requisitos para a realização do meu maior sonho. Se posso ir mais longe devo fazê-lo, devo-o a mim própria, em respeito ao meu trabalho e dedicação. Sim, posso vir a não gostar de medicina, mas tenho de tentar.
Acreditem que me toca imenso quando me dizem “não vais conseguir entrar!”, da mesma forma que me toca quando a Sara me defende e diz “Eu acho bem! Se é o sonho dela, ela deve segui-lo!”
Seja como for, este ano vai ficar sempre gravado na minha memória, com muito carinho, com muita saudade, com uma emoção indescritível. Este foi O meu ano de caloira. O ano em que tive de me desenrascar sem os meus amigos, e fui bem sucedida porque fui feliz.
Obrigada – é só o que me ocorre. Porque sim, porque me receberam de braços abertos, porque me ofereceram a vossa amizade e boa disposição, porque quando precisei os vossos ombros estavam disponíveis para eu chorar. Porque estiveram ao meu lado neste ano que, do ponto de vista pessoal e familiar, foi esgotante.
“E se não entrares em medicina?” – já me têm perguntado. Não sei. Talvez experimente outra coisa! Talvez fique…
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