Olhas para os outros e achas-te superior.
Sentes te bem ao saber que fazes o que queres e tens o que te apetece.
N�o precisas de lutar pois sabes que as coisas v�m ter contigo.
Dormes desde o momento em que te revelaste no meio dakela massa viva ao que d�s o nome de "mama"...
N�o questionas.
N�o queres saber.
Para ti a vida � bela.
Quem t�m que vergar � quem se cruza contigo na rua.
Achas-te uma entidade superiora, dotada de mil e um dons e sem limite de poder.
�s o rei desta merda toda.
O tempo passa.
Perdes a pica, perdes a "larica" da adolesc�ncia...
Abres o teu ba� no qual foste colecionando as tuas vitorias e deparaste com um espa�o vazio,com p� ,sem sentimentos.
Viveste uma mentira.
N�o �s quem tu pensas.
�s simplesmente mais um,que teve a sorte de nascer com dinheiro e que n�o precisou de lutar para sobreviver.
Perdeste-te.
Perdeste.
Resolves isto � tua maneira.
N�o...
N�o vais ligar para as miudas que comeste e deitaste fora e dizer que est�s arrependido.
N�o, n�o avis pedir perd�o aqueles que calcaste para atingir os teus objectivos falsos e mesquinhos.
Tamb�m n�o vais dizer aos teus amigos o quanto gostas deles e o quanto presas os momentos que passaste com eles.
Porqu�?
Nem tens amigos, nem boas recorda��es.As mocas passam e a memoria esmorece.
Vais resolver isto � tua maneira.
Como sempre fizeste...
Pelo caminho mais f�cil.
Trancaste no quarto e olhas as paredes brancas, vazias e s�brias...
As gavetas n�o t�m mais que livros de estudo desprezados ou roupas de marca da ultima colec��o.
Retiras a caixa vermelha que tens de baxo da cama.
Abres.
Apanhas na tua salva��o.
No teu fim f�cil.
No momento em que a apertas, um r�pido flash te corre a mente...r�pido e vazio tal como a vida que tiveste.
A tua cabe�a bate no ch�o.
Um barulho surdo.
Sabes que n�o morreste instantaneamente...
H� zonas cerebrais que n�o s�o importantes para a tua sobreviv�ncia.
Tens tempo de levar o teu castigo final contigo...
Mil facas te cortam de dor...
Tens tempo de veres tua m�e entrar no quarto e olhar-te nos olhos.
N�o v�s sofrimento nos olhos dela.
N�o v�s tristeza.
Ela tamb�m teve culpa.
"E a lua estava l� fora!Para al�m do firmamento...A fingir que n�o sorria nesse espantoso momento..."
Jorge Palma - Dormia t�o sossegada.