Estar aqui é sentir as grades da vida. É desejar voar, acordar e cortar as asas. Estar aqui, ao pé de ti, de nada vale. É vestir a solidão, que so solta ao te ver partir.
Nascer para morrer, e entre esse espaço de tempo, é o espaço de estar aqui. É correr para o que se quer, e após o primeiro passo mudar de direcção, para algo que se deseja ainda mais. Porque tudo se pode alcançar até a desorientação instalar o desespero. É que afinal, o tudo não passa de um grande vazio que entope os olhos de ver o essêncial.
Estar aqui é assim, é cair, levantar e agarrar esperanças até voltar a cair.
Eu estou aqui, sou manha, tarde e noite. Sou a manha em que a névoa cobre a dor de existir. Sou a tarde em que o sol se levanta, e logo foge para um horizonte impossivel de chegar. Sou a noite em que o mundo da fantasia desperta os sonhos mais secretos e incompreensiveis.
Eu estou aqui, na esperança que um dia o meu corpo acompanhe a ânsia de estar onde não estou.