Há sempre um momento, uma despedida em que, com os olhos erguidos aos céus e soltando uma lágrima, erguemos as mãos e damos a liberdade a quem nunca poderemos agarrar para sempre. Damos a liberdade para que os outros possam amar tal como nós os amamos um dia, damos a força para avançarem quando o seu sonho era mesmo esse, damos o impulso para a sua conquista mesmo quando já não fazemos parte dela, mas é assim mesmo que tem que ser, por mais que custe. É isso que hoje te faço, porque foi sempre o que me fizeste. (...)Devo deixar-te partir, para uma nova vida, rumo ao teu destino, ao teu sonho. Esteja ele longe ou perto. Estejas tu longe ou perto de mim.
Agora, agradeço-te por tudo, peço desculpa pelo resto. Parabéns pelos dezoito. Hoje o meu desejo é só um: sê feliz.
Rita Costa
29 de Agosto de 2008
O coração batia apressado e respirava com dificuldade. Encostada à cama, limpou as lágrimas com a manga do casaco e acendeu o isqueiro com a mão aberta em concha. Não mais de dez minutos. Abriu a gaveta e tirou algumas roupas, atirando-as com raiva para dentro de uma mala. Correu até outra gaveta e tirou todo o dinheiro que tinha, meteu-o no bolso das calças e saiu apressada, enquanto deixou para trás um rasto de fumo do seu cigarro. Saiu sem destino. Ausente por tempo indeterminado.