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Ridículo sou, eu sei. Mil vezes ridículo me descubro em cada pensamento, em cada desejo. Ridículo sim, sim, por este palpável amor que alimento e de fome me definha. Ridículo por esperar ainda o que sei jamais chegar, porque vazias são as tuas intenções, o teu lutar, o sangue que em teu empedernido peito corre, o medo que te sustem nas horas frágeis em que em mim pensas. Escuto as vozes avisadas que me gritam. RIDÍCULO!!! Eu sei que sou mas, deixem-me aqui. A Primavera há-de chegar e aqui me vai encontrar sepultado entre a terra que tem a cor dos teus olhos. Tu que já a outros braços buscas e neles julgas descançar, sem saberes que a mim estavas escrita nas eternas linhas do destino. Como para ti eu nasci, pobre, humano e nu. Aqui me vai encontrar, sob o branco manto da neve e do gelo que tua alma gerou, e de mim faz seu prisioneiro. Debaixo do pavor deste humano ser que já desconheces pois o panico é mais forte que a razão. Deixa-me, pois e ainda a réstia de um sonho lindo: imaginar teu corpo em noites de paixão. Sentir teu cheiro no suor quente da minha pele. Não, não me venhas com a razão, que já nada mais possuo que esta triste e ridícula ilusão de um amor perdido, de um querer não querido. Sim, sou ridiculamente lúcido mas de paixão ébrio.
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