
Dizem que o nosso signo e ascendente, depende da data e hora em que choramos neste mudo de loucos.
Pergunto-me, se nesse mesmo instante é traçado o nosso destino, ou se a nossa morada já estava entregue enquanto estávamos protegidas na barriguinha da nossa mãe.
É simples para qualquer mero mortal lembrar as lágrimas que já verteu... mas nenhum recorda a primeira vez que chorou. Será que durante o nosso primeiro sopro e grito ao mundo estamos apenas a ganhar forças para o nosso caminho? Mas porque não lembramos esse momento em que foi tão fácil, chorar, gritar… até que pegassem em nós, nos aconchegassem e nos dissessem que tudo vai correr bem?
O que é mais incrível, é que ninguém diz a um bebé para não chorar…. Ninguém pára o choro de uma criança até entender o porquê das lágrimas.
Mas expliquem-me porque simplificaram as coisas? O homem é ensinado e alertado desde pequeno, de que um homem não chora. Mas sempre educados a oferecer um lenço a uma mulher que chore. Nunca ninguém ensinou ou disse a uma mulher, que não deve chorar. Nunca alguém disse a uma mulher que chorar é sinal de fraqueza. Numa mulher é sinal de dor… no caso de um homem sinal de fraqueza? Falta de masculinidade? Mas afinal não fomos todos aconchegados quando berramos ao mundo pela primeira vez?
Complexo…. Irracional… e do meu ponto de vista uma pura patetice! Qual foi a mulher que nunca segurou no colo um homem, do seu homem, que chorava de dor ou de alegria como nós? Mas nenhuma confidência na sociedade que o seu homem chora, que este tem momentos de fraqueza, tem sentimentos e que chegam alturas em que voltam ao início de tudo e que apenas querem colo.
Digam-me quem nunca viu um homem chorar? E digam-me, qual a mulher que esconde as lágrimas?
O mais triste é que as nossas não se escondem… são janelas para o mundo. As dos homens… são envergonhadas e apenas em gritos de desespero.
No que respeita ao amor, poucos amigos meus (masc) choraram em frente a mim. De facto houve, no meu entender, verdadeiros homens que o fizeram por amor, por saudade, por alegria…. Alguns que pediram segredo enquanto limpavam as lágrimas, outros que nem quiseram saber. Apenas sentiam e demonstravam! Verdade dita, metade dos que não se preocuparam, no dia seguinte desculpavam-se com o álcool.
No caso das mulheres… nós bebemos para não chorar! Bebemos para esquecer que queremos chorar. No dia seguinte, depois de saber que o fizemos (como sempre), em frente a uma plateia enorme, chegamos à conclusão de que… para a próxima teremos de beber mais.
Não pensamos que fomos vistas a verter um oceano pela face abaixo, apenas sentimos impotência por não consegui travar esta nossa força da natureza. Aprendemos a pedir delicadamente um lenço, mas nesses minutos ninguém nos diz “Uma mulher não chora”. Nesses momentos, apenas fica o mau estar de ver uma mulher chorar.
E depois existe ainda aquele factor importante, que vem nas enciclopédias masculinas e da qual ainda desconheço a página, de esconder uma verdade com medo de magoar e fazer chorar.
Não se iludam meus queridos, uma mulher chora com novelas, musica e acções românticas. Chora pelas crianças que morrem de fome, e até mesmo quando a selecção ganha (o que se torna já raro). Uma mulher chora porque pode e quer. Não necessita de uma desculpa. Por isso os que se iludem que escondendo uma verdade, um acto menos bonito, desenganem-se. Sentem. E choram pela ausência de uma resposta, não pela resposta em si.
E aqui voltamos ao inicio…. Os homens escondem sempre a verdade do que sentem, e mesmo do que pensam quando não se sentem seguros de si mesmos. Nós… bem, nós choramos e vivemos da verdade. Sabemos que no fim acabamos sempre por largar aquele nosso oceano. Seja pela alegria ou pela dor. Choramos e pronto. E continuamos a acreditar, que assim como no nosso nascimento, alguém nos pegará ao colo, nos aconchega e diz: Vai ficar tudo bem…
Para as mulheres que tanto amo, e para os verdadeiros e raros homens que se mostram como são e que não têm medo de nos pedir um colo… ou um lenço.