Nunca saberei se uma vida contigo seria trágica. Acredito que sim. Mas acredito também que teria uma vida cheia. Apenas por lá estares. E quando digo contigo não quero dizer juntos. Basta-me estares por perto, um dia ou outro. Ir ter contigo para me gozares quando levar uma tampa das grandes, contar-te o meu grande dia no trabalho ou apenas para levar-te mais um texto secreto, daqueles que escrevo só para ti. Sempre com um olhar irrequieto, como se após tantos anos ainda esperasse que reconsiderasses a tua vida. Por mim. E às vezes até o poderias fazer, e porventura trocar beijos ou mais, em dias perdidos no tempo. A nossa vida seria assim, triste e incompleta, mas de certa forma bonita. Bonita por nos termos, apesar de não estarmos juntos. O chamar-te para fora de casa, com urgência, só para dizer que as últimas semanas foram quase tão boas como aquele fim de semana naquela pensão a cair de podre, com camas barulhentas e empregadas resmungonas. E o teu sorriso a aparecer. Ah, como sinto falta dele... Costumava pensar que não me importava de sair de casa à mesma hora que tu, mesmo que só entrasse duas horas depois, só para poder apanhar o teu sorriso matinal. Era mais eficaz que um café - E eu não prescindo do meu. E ver os teus relacionamentos à distância, sempre na esperança que acabem rápido, para não te fazer sentir que estar comigo é uma traição. E contar-te os meus, mesmo que não queiras saber. Que queres. E despejar pormenores, para te ver soltar essas pontinhas de ciúme disfarçadas em sorrisos e gestos incriminatórios. Tudo rematado com filosofias sobre o porquê de não termos dado certo, apesar de tão bem feitos que somos um para o outro. O porquê de termos tido tempos tão felizes e não sermos capazes de passar disto. Se calhar a magia é mesmo esta, o saber de tudo e não tentar consertar nada. Deixar tudo no lugar, e ir aproveitando a vida como ela nos chega. Mesmo que ela nos obrigue a viver com a esperança de que um dia poderemos ficar juntos outra vez.
Está muito bom, mesmo..
Beijo*