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PUTO MARAVILHA
Órfãos, esquecidos e sem orgulho, assim andavam as esperanças Lusitanas que das alturas de Clermont-Ferrand carregados nas costas do ídolo Cristiano Ronaldo ao desespero na Grécia na hecatombe Olímpica liderada por José Romão os acólitos da selecção pensaram que o dia nunca viria em que voltariam a sentir aquele orgulho de outros tempos.
Algo faltava, de algo necessitavam, aquele que viria fazer a diferença, aquela classe, aquela ambição e humildade dos grandes campeões que fazem a diferença e nunca se "engasgam" quando os meninos olham à sua volta procurando uma referência que os leve para a vitória
Com Couceiro voltou a existir serenidade na postura, coerência no discurso e sensatez nos critérios mas em campo onde estava esse "farol" para o qual as 10 "naus" Portuguesas olhariam nos momentos difíceis, quem iluminaria o caminho para a vitória?
O coração dói e aperta contra o externo e torna-se difícil de respirar, os pulmões ardem e por natureza aparece o desejo de conformidade e da rendição, vergonha essa que é mais fácil do que suportar as dores para se chegar à glória e assim a via do facilitismo vem tentar um jovem frágil, desorientado e sem fé.
Os minutos passam, o ácido láctico começa a acumular, surgem as caimbras, surgem ainda mais dores e o desespero apodera-se dos corações de homem fracos.
Porquê suportar isto? Porquê sofrer? Qual o propósito? Que faço eu aqui? Pelos outros, por mim, por altruísmo ou por vaidade será que algo justifica estas dores?
Eis que ele surge, alguém que não se questiona, alguém no qual existe clareza de ideias e propósitos durante os 90 minutos, alguém disposto a agarrar na equipa e liderar com o seu exemplo. Súbitamente uma sensação de liberdade apodera-se do colectivo, a percepção que não estão sozinhos em campo, que uma "extensão" do treinador está com eles no relvado. Ele corre, ele sofre por si e pelos seus irmãos de equipa, ele atinge os seus prévios limites e no apogeu da sua juventude percebe que limites não lhe foram ainda impostos e quebra essa barreira psicológica e sofre, corre e sua ainda mais do que alguma vez fez.
A inspiração chegou, no politaismo futebolístico eis que os jogadores encontraram a sua nova fé, alguém extraordinário, radiante como o sol matinal que traz nova vida a todos os que sentem o seu abraço eis que João Filipe Moutinho traz nova vida e esperança aos sub-21 Portugueses. A sua ambição contagiante apodera-se dos seus colegas, as dores são esquecidas com um suplemento de alma, garra e ambição que se alimentam naquele profundo poço de humildade do qual todos vão beber em procura de inspiração e de fé.
Com a súbita sensação de liberdade injectada pelo jovem Algarvio os horizontes alargam-se, as dores são atenuadas e os limites auto-impostos pela piche de cada um são estilhaçados. Quem vos disse que vão perder? Quem vos convenceu que as dores são mais fortes que a vossa ambição? Quem olha para o Nº10 diria que quem vos derrota são vós próprios, ele acredita, eu acredito nele e com a nova fé eu acredito em mim próprio.
A altura é agora, se um homem não acreditar em si próprio quando é jovem não será no seu declínio que irá encontrar essa fé e se o amanhã nunca chegar então eis aqui e agora a chance de deixar o seu legado, em campo e perante os crentes.
Numa era em que elegância, coragem, humildade e fair play já são considerados "démodé" eis aqui a oportunidade de dar o exemplo. Um mero jogador de futebol mas um ídolo para milhões de jovens, aqueles confusos, sem identidade própria que procuram um ídolo, um exemplo, uma referência e uma fé.
Todos pensavam que o dia nunca viria mas eis que aqui está o novo sol que abrasa a selecção, eis que chegou a nova fé, eis que chegou João Moutinho.
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