"...Acredito que não somos somente humanos, nem mesmo seres humanos que, eventualmente, desfrutam de experiências espirituais , mas seres espirituais que têm experiências humanas.
Possuímos diversas dimensões que podemos vivenciar e das quais podemos usufruir. Temos no nosso espírito possibilidades acima do tempo e das limitações físicas. E há muitas formas de entrarmos em contato com o Eu Superior que abrigamos. Trata-se de um caminho no qual quanto mais avançamos, mais nos tornamos capazes de alcançar graus cada vez mais altos de espiritualidade.
...Quanto mais profundamente a nossa prática de meditação nos leva, mais nos distanciamos do plano das aparências e das tentações, da importância que damos às frustrações, aos rancores e ressentimentos, e mais e mais nos envolvemos com esse Eu Superior, com a sua capacidade de amar.
Por conseqüência, ao compreender que essa visão da vida e do mundo, esse amor, está dentro de nós, ao descobrir que possuímos esse dom tão precioso, repleto de beleza, sentimo-nos seres dignos de ser amados e de alcançar a felicidade. Somos , sim, seres luminosos e iluminados.
A espiritualidade que cura e traz o equilíbrio é essa capacidade de amar e de nos sentirmos amados. É o que nos devolve o mundo munidos de habilidades impressionantes. Menos sujeito a inibições e constrangimentos, o sub-conciente é uma matriz de criatividade e de respostas intuitivas.
Criatividade e intuição, duas fontes de realização, mas que, habitualmente, subestimamos ou mesmo reprimimos... A verdadeira cura e o verdadeiro equilíbrio dependem de nos reencontrarmos com a nossa essência espiritual.
Sem o rancor trazido de muitas e muitas lutas ao longo dos anos, poluindo a capacidade de amar entre dois seres, muitos atritos aparentemente irreversíveis podem ser resolvidos. Com uma declaração e amor, com um abraço espontâneo, sincero, dado do fundo do coração (ou da alma).
A espiritualidade maior está na maneira como buscamos: voltados para o nosso íntimo, compreendemos que somos responsáveis pela nossa aprendizagem. Os únicos responsáveis. Não há outra maneira de aprender a não ser conhecendo-nos, transformando os nossos medos e limitações em força e alegria. Essa é a principal lição.
A nossa tarefa no plano físico é aprender. Aprender no sentido mais amplo, mais ilimitado: aprender a amar. Amar os outros e a nós mesmos. Esse é o conhecimento que nos torna divinos.
Você é maior do que o seu corpo, maior do que a sua mente. Você é maravilhoso ser de luz e amor, imortal e eterno. Você é maior do que os seus medos, do que a sua ansiedade, os seus rancores e preocupações. Você é maior até mesmo do que o seu sofrimento.
Você está sempre rodeado de amor, um amor que pode protegê-lo e confortá-lo. Que pode alimentá-lo e oferecer-lhe realizações. E você pode visualizar o amor que o circunda. Pode reencontrá-lo nas profundezas do seu próprio eu, na sua imensidão interior, de onde você conseguirá sempre olhar o mundo e sentir-se capaz de torná-lo um lugar mais feliz para si e para os demais.
... Fixe sua mente na luz, apenas luz. Sinta-a como uma benção. Ela é, de facto, uma benção. E pertence-lhe. Vem de si e é destinada a si, desde o início dos tempos. Dentro de si há um magnífico universo à sua espera."
Brian L. Weiss
Escolhi estas palavras para iniciar este espaço de reflexão. No fundo, um espaço de regresso às memórias daquilo que sou. Na essência. E como escolhi este texto de Brian Weiss, podia ter escolhido outro. Porquê? porque estas palavras não são do autor que as escreveu. São de todos nós. Pertencem à ordem natural do cosmos. E, como tal, ressoam dentro de nós como verdadeiras. Com um sentido inexplicável e que não carece de explicação. Atravessaram tempos, viajaram de boca em boca, foram aprisionadas e atribuídas a figuras diversas na espiral do tempo histórico. Mas não pertencem a uma pessoa. São de ninguém e são de todos. Porque todos somos o mesmo. A unidade. Um só em angústia de divisão.
Se tentar perceber (no sentido de ter a percepção de algo) o que me levou a criar este blog, pura e simplesmente não sei responder. A minha razão não teve certamente intervenção. Não planeei, não decidi, não ponderei. Fui levado por uma intuição que me assaltou sem aviso. A causa não me preocupa, porque sei que o tempo da vida não é o meu tempo. E, a seu tempo, verei a razão. O importante é que não me prendo à ansiedade da necessidade de uma explicação. Limito-me a aceitar que a minha voz silenciosa é mais sábia que a minha percepção consciente.
Como diz Brian Weiss no texto, estou em processo de aprendizagem. Todos os dias me surpreendo com o carrocel dinâmico deste caminho. Sou cada vez mais assaltado por interiorizações que não procuro e que se limitam a aparecer. Avanço e retrocedo. Saboreio a luz da ressonância interior e enfureço-me com a incapacidade de a manter. Questiono-me cada vez mais e tenho cada vez mais certezas. É o paradoxo do reencontro. O religar intermitente dessa fonte de onde todos viemos e para a qual todos regressamos. O lançar desesperado de braços a uma realidade maior que sentimos existir em luta permanente com a atracção magnética da Terra, da matéria. E, no entanto, no meio do reboliço, da mudança de marés, dos ciclones e furacões que nos fazem balançar, a cada instante, ao sabor da vida, sinto-me vivo. Cheio de uma vida que venho aprendendo a descobrir. Uma vida que não está fora de mim, mas que parte de mim. Que faz parte de mim. Que sou eu.
A espiritualidade que cura e traz o equilíbrio é essa capacidade de amar e de nos sentirmos amados
Cristo disse. Buda disse. Muitos o disseram. Muitos o dizem. Todos o sentem. Poucos o praticam.
Porquê? porque se assim não fosse não precisávamos de estar aqui. Estaríamos numa dimensão onde a ambiguidade não faz sentido, porque tudo é único e o mesmo. A diversidade dá lugar à harmonia e a polaridade é trocada pela unidade. E, mais uma vez paradoxalmente, esta é também a nossa grande opotunidade. A chance única de reconhecer a luz pela vivência do seu oposto. Reconhecer o amor (por ausência) na existência descarada do ódio. É um caminho longo, muitas vezes penoso, mas que acaba sempre da mesma maneira - um regresso às origens esquecidas. Um reencontro com aquilo que todos temos em comum. Um abraço de alegria a esse Ser Superior que existe em nós e que já projectámos com inúmeros nomes.
Dentro de si há um magnífico universo à sua espera.
Basta confiar no tempo das coisas do espírito e manter a nossa intuição alerta. Basta reconhecer a nossa condição e acreditar nos sinais que a vida contantemente nos dá. Pelo menos, é isso que eu tento fazer.
E vocês?
in www.coisasdoespirito.blogspot.com