Confundo o pulsar das batidas do meu coração com o tic-tac do relógio na parede...
Tento com que os ponteiros andem mais rapido...
pois a minha respiração está definitvamente mais apressada que o tempo
Acendo mais um cigarro...
Numa tentiva infrutífera que um qualquer som
desfaça o vazio sonoro da solidão que teima em se apoderar de mim,
com os seus frios tentáculos!
Olho a chama produzida pelo click do isqueiro
e na sua transparência sinto e do calor da pequena labareda
sinto o calor do teu corpo,
Mantenho-a acesa por um instante,
para na minha fantasia mental te acreditar ali
Impetuosamente sou invadido por um ruído...
O meu coração bate ainda mais rápido
E sem saber como já estou junto da porta...
pensando que vais entrar
Mas, tudo não passou dum simples devaneio...
uma simples janela aberta que se fechou com o vento
Apago o cigarro... Já não arde, nem faz fumo
A chama já não existe... e o rosto desapareceu
Acomodo as almofadas frias e os brancos lençois lavados
Lentamente... deixo cair a minha cabeça
O meu olhar exausto em lágrimas cede ao cansaço
Tu não chegaste... e provavelmente não virás
Quem sabe amanhã??? Pois quem sabe???
Mark Paul.