"Muitos de nós estamos dependentes do estado de espírito elevado que nos vem da aprovação por parte dos outros. Desde o berço que somos ensinados a desempenhar todo o tipo de truques para recebermos atenção. A ideia de que temos de continuar a representar com vista a sermos dignos de amor fica com a maioria de nós para sempre. É frequente representarmos papéis diferentes consoante a audiência diante de nós, ou dizermos uma coisa e pensarmos outra, comprarmos roupa apropriada, conduzirmos um carro topo de gama e procurar um companheiro que nos dê uma boa imagem quando com ele descermos a rua. Quanto maior for a aprovação que tivermos dos que nos rodeiam, tanto mais acharemos que somos boas pessoas.
Parte do estado de espírito elevado vem do conhecermo-nos através dos olhos de outrem. Mas esta é uma faca de dois gumes. Se os outros olham para nós com olhos de aprovação, sentimo-nos confiantes. Se nos olham de forma crítica ou desiludida, nós desiludimo-nos connosco próprios. Se os outros nem sequer olharem para nós, podemos até sentir que não existimos."
"Zen e a Arte de Amar" - Brenda Shoshanna
"Concedemos um carácter mais real à forma como os outros nos vêem do que à forma como nos vemos a nós próprios. Assim estamos a ver-nos a nós mesmos como um objecto, perdendo a essência de quem realmente somos."
Jean-Paul Sartre
"Um macaco que estava sentado à beira de um lago viu o reflexo da Lua na água. Extasiado, tentou apanhá-lo, chapinhando na água e salpicando tudo à sua volta. Quanto mais chapinhava, mais o reflexo o iludia, quebrando-se em mil pedaços com o movimento das ondas que ele provocava. O macaco nunca percebeu que se tratava apenas de um reflexo. Por fim, desesperado por tocar na Lua, atirou-se à água e afogou-se. Bastava que o macaco tivesse parado de chapinhar e olhado para cima por um momento, e teria visto a verdadeira Lua no céu."
História Zen