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Entraste na minha vida sem me dar alternativa e aprendi a amar-te, a conhecer-te e a lidar com as diferentes formas de estar que apresentavas, ensinaste-me a acreditar em todos e foste também o meu ídolo, via em ti a melhor pessoa, a melhor mesmo e nunca consegui por a hipótese sequer de alguém te poder substituir, exemplificavas o certo e soubeste ensinar-me o significado do errado. Tentaste fazer-me à tua imagem e era assim que eu pretendia ser, forte e corajosa, dando o meu melhor em tudo mas nunca me obrigando dessa forma a ser a melhor pois isso nunca fora o nosso objectivo. Proporcionaste-me tudo o que consideravas ser o melhor para todos e nem por uma vez foste egoísta, guardavas sempre o melhor para mim e muitas foram as vezes em que me encheste de carinho. Numa fracção de segundo conseguiste mudar toda felicidade vivida em anos anteriores e partiste sem nunca me teres sabido explicar o paradeiro e o porquê. Tornaste-te ausente e fizeste-me crescer demasiado rápido, suportando assim a dor de não te poder ver constantemente, colocando outras prioridades à minha frente e deixando-me assim para segundo plano. Entristeceste-me, sim, mas rapidamente aprendi a lidar com a situação e mais uma vez a dar a volta por cima, tendo acabado por me isolar. Acabei por me refugiar nas pessoas que me compreendiam e passavam por problemas como os meus, mas não soubeste aceitar e criticaste-me inúmeras vezes por isso. Agora que olho para trás, recordo tudo isso com emoção e várias são as lágrimas derramadas enquanto escrevo principalmente por saber que depois de tanto mal ainda seja possível ser a mesma pessoa. Ensinavas-me a acreditar em todos e a confiar nas pessoas mas após tantos anos nem em ti pude confiar pois esse teu sentimento de ódio consumiu-te e deixaste que isso destruísse tudo, é muito fácil colocarmos a pressão toda noutra pessoa conseguindo levá-la à exaustão. Tornaste-te temido, até por mim e não consigo entender como é que o ódio se consegue sobrepor ao amor pois não era assim que pensavas.
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