Sou o eterno em cada linha
Que adivinha o incerto,
Quando escrevo eu vejo o mundo
Que programo e desperto.
Mil versos como que uma vida
Que este povo se queixa,
Eu tento não ver isto
Mas esta caneta não deixa.
Faço desenhos de esperança
Como uma criança que voa,
Enquanto o mundo é inocente
Não mente nem magoa.
O pouco que tem é tudo
Mas partilha com o colega,
Que a inocência trás a justiça
Que a ambição ainda não leva.
Rabisco palavras
Com imagens e o desejo,
De fazer o quadro perfeito
Com as imperfeições que vejo.
Sou a tinta que cola
Esta folha livremente,
Sou a verdade que a mentira
Risca pra se por à frente.
E vagueio por estas vidas
Como mensageiro sem dono,
Com relatos do que vejo
Do que sou e do que sonho.
Palavra que repetes
Em cada estrofe fiel,
Ao que eu sinto, tudo o que vives é
Tudo o que eu vivo num papel.
Sou a história, sou o agora
Sou um amanhã sem medo,
Memória que me adorna
E não deixa um só segredo.
Sou transparente, recto, frio
Agressivo de punho em riste,
Fechado, subjectivo,
Internamente triste.
eu vi que não vejo
O que valorizo no dia-a-dia,
Sou o abraço que nao recebo
E dou a quem não devia.
Sou o crescimento feito,
Perspicácia e persistência, a aprendizagem boa
Na voz de uma má influencia.
Sou as coisas certas
Com consequências erradas,
Opções más tomadas
Que acabam recompensadas.
Sou este mundo que no fundo
Gira ao contrario,
Que não forma milionários
Escolhe um operário precário.
Sou a expectativa, a melhoria
A qualidade de vida,
A ilusão, o sonho
A oportunidade prometida.
A garantia dada e merecida
A quem respira,
Eu sou tudo e não sou nada
Sou só papel e tinta.